Morreu João Paulo Seara Cardoso – fundador e director do Teatro de Marionetas do Porto

Nascido no Porto, João Paulo Seara Cardoso, foi fundador e presidente da assembleia geral do Festival Internacional de Marionetas do Porto, fundador e director do Teatro de Marionetas do Porto, membro fundador da PLATEIA, tendo sido presidente da mesa da assembleia geral de 2004 a 2006. João Paulo inovou durante todo o seu percurso profissional. Teve como principais mestres Marcel Violette, Lopez Barrantes, Jim Henson e João Coimbra. Dedicou-se à pesquisa e reconstituição do Teatro Dom Roberto, fantoches populares portugueses, e recebeu de Mestre António Dias a herança desta tradição secular. Efectuou, nos últimos vinte anos, cerca de mil e quinhentas representações do Teatro Dom Roberto. Alterou a criação televisiva para crianças e impôs novos padrões de qualidade e criatividade com séries como «A Árvore dos Patafúrdios» e «Os Amigos do Gaspar», co-criada com Sérgio Godinho, Jorge Constante Pereira e Alberto Péssimo. No domínio da literatura infantil tem nove livros publicados, a maioria dos quais peças de teatro. A sua primeira obra “Dás-me um tesouro?” foi premiada pela Associação Portuguesa de Escritores. Fundou e dirigiu o Teatro de Marionetas do Porto, a mais emblemática companhia de marionetas do País, reconhecida internacionalmente pela sua qualidade e capacidade de inovação, quebrando todos os estereótipos. Na memória de todos estão espectáculos como «Miséria», em 1991, e «Vai no Batalha», uma revista à portuguesa com marionetas, crítica mordaz ao cavaquismo e à mentalidade portuguesa vigente no início dos anos 90, que ficou em cena cerca de um ano com lotações esgotadas. Criou espectáculos para adultos, para crianças e para todas as gerações, encenando autores como Aquilino Ribeiro, Samuel Becket, William Shakespeare, António José da Silva, Lewis Carrol, A. Milne, Almada Negreiros, Heiner Muller, Marguerite Duras, Alfred Jarry e Luísa Costa Gomes. Inovou na noção de interpretação no teatro de marionetas através da exploração de novas relações entre manipuladores e marionetas. As suas criações foram apresentadas em países como a Holanda, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, Bélgica, Canadá, França, Suiça, Cabo Verde, Áustria, China, Brasil, Polónia, Republica Checa, Israel e Marrocos. Teve também experiência na dança, juntamente com a coreógrafa Isabel Barros, na encenação de teatro sem marionetas, com a companhia Visões Úteis, e na direcção de ópera, com a Casa da Música e a Orquestra Nacional do Porto. Foi ainda professor da cadeira de Interpretação Teatral no Balleteatro Escola Profissional.

«São as paixões a matéria incandescente do teatro. A marioneta é um corpo inerte, altamente inflamável. O actor confia-lhe a chama da vida. De uma forma intermitente. Assim, ela permanece num limbo entre a vida e a morte. “A vida não pode ser exprimida em arte senão pela falta de vida ou pelo recurso à morte” (Kantor).» João Paulo Seara Cardoso, in “A Falta de Vida”, escritos.

http://www.marionetasdoporto.pt — PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas http://www.plateia-apac.blogspot.com

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