Exposição de pintura “Figuras Mudas”, de Mónica Baldaque

 

 

 

 

 

 

 

 

 

:: Dia 2, segunda-feira
Galeria piso 2 (De 2 a 16)

Inauguração no dia 3, às 21h30

“É preciso procurar o sentido das coisas”  (C. G. Jung)
Quando eu era criança, queria ser uma estátua. Não por não ter de obedecer, nem pela imobilidade, pela ausência de voz, ou de ouvido, mas justamente porque a imobilidade delas se me afigurava aparente, e o silêncio, de repente, podia muito bem ser quebrado. Como o seu sangue cinzento, igual ao nosso, o português, podia colorir-se de vermelho com uma pincelada.
Era capaz de permanecer tempos infinitos diante de uma estátua, fixando-a, tão imóvel como ela, e acabar por vê-la sorrir-me ou pedir-me uma coisa. Um dia, uma senhora-estátua de um jardim sombrio do Porto, pediu-me um espelho, porque aquele que segurava na mão era de bronze, e ela não se via reflectida nele.
– “Só me cansa ter um espelho de bronze, onde nada vejo. Se ao menos eu tivesse um espelho a sério, poderia ver-me, ver o céu, os pássaros, as árvores, e as pessoas à minha volta. Sentiria o tempo a passar. Porque assim, não sinto, e é como se estivesse esquecida do mundo, perdida para todo o sempre. Como podemos viver sem receber o reflexo de tudo o que nos rodeia? É como estar fechada num quarto escuro, num túnel sem saída.”
Figuras mudas desta cidade, deste País, desçam dos vossos plintos de granito, e falem!
(Mónica Baldaque)

 Laura Mónica Bessa-Luís Baldaque: Nasceu em Godim, Peso da Régua, a 13 de Maio de 1946.
Concluiu o Curso Superior de Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, e enveredou pela Museologia, depois de uma breve passagem pelo restauro de pintura.
A par de uma carreira de Conservadora de Museu, que começou nos quadros dos Museus Municipais do Porto, em 1975, e continuou pela direcção do Museu Nacional de Literatura, Museu Nacional de Soares dos Reis, manteve a Pintura, sempre, e disciplinadamente, como exercício diário.
Participou em inúmeras exposições colectivas, e expôs pela primeira vez, individualmente, na Galeria da Praça, em 1978.
Expôs depois na Galeria Café des Arts, no Porto; Galeria Degrau, no Porto; Livraria Guimarães, em Lisboa; Galeria da Calçada, no Porto; Galeria Sónia Délaunay, em Vila do Conde; Museu Nogueira da Silva, em Braga; Galeria Alvarez, no Porto; Câmara Municipal de Vila Real; Galeria Olhares, em Vila Nova de Gaia; Museu do Douro.
Tem desenvolvido a ilustração em obras de Agustina Bessa-Luís, e de sua própria autoria, em livros destinados a crianças.
A paisagem do Douro e o estudo da sua cor, que sempre a interessaram, têm vindo a orientar de forma exaustiva, todo o seu trabalho.
O retrato é uma vertente permanente na sua obra.

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