“Crer em Deus e Saber Sobre Deuses”

:: Dia 11 | sexta-feira

 Auditório, 21h30

 “Crer em Deus e Saber Sobre Deuses”

Palestra com Onofre Varela

O anti-clericalismo da primeira República e o nacional-catolicismo do Estado Novo, são dois extremos que ainda hoje marcam a sociedade portuguesa na sua postura perante o fenómeno da Religião.

A ideia de Deus, sempre tão presente no nosso quotidiano, acaba por dominar as sociedades onde a crença religiosa tem mais penetração, mas, paralelamente, o pensamento ateu existe e goza de boa saúde.

A dicotomia entre crente e não crente é abordada através da leitura crítica do livro editado em Espanha “La fé explicada”, do padre católico norte-americano Leo J. Trese.

As suas perguntas primárias “Quem nos criou? Quem é Deus?” merecem a atenção do palestrante, que as confronta com outro pensamento que não o estritamente religioso, e conclui ser errado aquilo que Leo J. Trese afirma ser certo, e que as suas questões estão propositadamente mal formuladas com vista a seduzir os crentes menos avisados, mas que não colhem em pessoas mais informadas.

As razões dos crentes de várias sensibilidades religiosas, que em Fevereiro de 2007 se reuniram no pavilhão da Culturgest, em Lisboa, dando corpo a um ciclo de conferências subordinado ao tema “As Religiões dos filhos de Abraão”, são examinadas pelo raciocínio do não crente, que conclui ser “a dispensa do raciocínio” a condição essencial para se ser deísticamente crente, pois exime o religioso de pensar para além dos mandamentos da sua fé, de questionar e analisar os porquês dessa mesma fé que, não encontrando contestação nem dúvida, pode, no extremo, escravizar o crente.

Considerando que todos nós somos ignorantes, pois o conhecimento e o saber não será total para ninguém em tempo algum, conclui-se que a diferença existente entre o crer e o saber faz a qualidade do pensamento, e que em tudo, na vida, é incomparavelmente preferível saber do que crer.

 Onofre Varela

Onofre Varela nasceu no Porto em Setembro de 1944. Iniciou-se no mundo do trabalho com 14 anos, como aprendiz de tipógrafo. Estudou Pintura Decorativa em regime de aulas nocturnas, enquanto exercia a profissão de desenhador  litográfico.

Em 1965, ao serviço do Exército, partiu para a Guerra Colonial no território de Angola, onde colaborou com a revista Notícia, de Luanda, fazendo banda desenhada para o suplemento infantil Pica-Pau. A partir de 1968 exerceu funções de criativo gráfico em agências de publicidade de Lisboa e do Porto. Em 1970 entrou  no mundo da imprensa.

Iniciou-se no jornal O Primeiro de Janeiro como maquetista, ilustrador e caricaturista, passando pelo Notícias da Tarde, O Jogo, O Comércio do Porto e Jornal de Notícias. Neste, exerceu o cargo de Ilustrador Principal. Em 1972 viajou a França e à Bélgica, com o intuito de por lá ficar a fazer banda desenhada, tendo-se avistado com Claude Moliterni em Paris, e falado com os chefes de redacção das revistas Tintin, Pilote e Spirou, em Bruxelas, e trocado correspondência com Hergé.

Colaborou com várias publicações periódicas, nacionais e regionais, (entre as quais O Tripeiro) e teve uma colaboração, na década de 80, na Rádio Televisão Portuguesa, no programa da manhã Às Dez, desenhando em directo a informação meteorológica.

Na RTP também participou em programas infantis executando desenhos a partir de traços iniciados por crianças. Expôs o seu trabalho em Portugal, Espanha, França, Turquia, Macau e Brasil, e foi premiado várias vezes, nacional e internacionalmente, pelo seu desempenho de gráfico e de cartunista.

Recebeu um prémio das Nações Unidas em 1984, pela criação de um logótipo tendo em vista a integração social dos delinquentes, e em 1998 foi-lhe atribuido o Diploma de “Profesor Honorífico del Humor”, pela Universidade de Alcalá de Henares, Madrid. É referido no Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX, da Porto Editora, publicado no âmbito da  Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, e no Dicionário Antológico de Artes e Letras de Gondomar (2008).

Após sair do JN (em 2000) com vista à reforma antecipada, estudou teatro no TEP e, como actor,  representou teatro de Revista e Comédia no Teatro Sá da Bandeira e em grupos amadores de Gaia e Matosinhos. Interessado pelo fenómeno religioso desde a juventude, foi o iniciador do movimento que levou à criação da Associação Ateísta Portuguesa, da qual é membro dirigente. Atento ao discurso da Igreja, viu, leu e ouviu responsáveis eclesiásticos, que lhe forneceram material suficiente para escrever o livro “O Peter Pan Não Existe — Reflexões de um Ateu”, publicado pela Editorial Caminho em Janeiro de 2007.

Neste momento tem no prelo um novo livro sobre o tema, com o título “O Homem Criou Deus”, cujo lançamento deverá ocorrer ainda este ano de 2011.

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