1º CICLO DE LEITURAS FILOSÓFICAS – “ÉTICA” de Espinosa

Por quê escolher Espinosa para primeiro autor do Ciclo de Leituras Filosóficas? Não seria mais avisado começar “canonicamente” pelo início da tradição filosófica ocidental, talvez Platão, Aristóteles ou mesmo os pré-socráticos? Ou, quando muito, começar pelo início da tradição racionalista em que Espinosa se insere, Descartes?

Começar com Espinosa é, a nosso ver, começar com todos eles. A “Ética” é uma daquelas obras únicas que sintetiza toda uma tradição filosófica atrás de si. Mais que um livro de “bons costumes”, como o seu título pode deixar adivinhar, a “Ética” é um verdadeiro tratado de ontologia que pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior. A re-leitura que Espinosa faz de conceitos antigos (como Substância e Causa de Si), escolásticos (como Deus e Eternidade) e modernos (Liberdade, Espírito-Corpo) e a forma como os problematiza para retirar deles as implicações necessárias até aí escondidas torna a “Ética” um manual de como fazer filosofia, um pensamento que se quer ao mesmo tempo corajoso, crítico, criativo e radical. 

Percorrer com Espinosa as definições, axiomas e proposições da “Ética”, deixando-nos levar pelo seu método geométrico é, em si mesmo, um exercício de confiança nas capacidades de um mestre do pensamento, o “príncipe dos filósofos” como foi  considerado. Mesmo que não aceitemos, ou até nos repudiem, as premissas de que parte ou as conclusões a que chega, não podemos deixar de admirar a forma elegante e aparentemente necessária como nos conduz, em passos seguros mas sempre surpreendentes, do acidental ao essencial, da duração ao eterno, do ponto de vista do Eu ao ponto de vista do Universo. A nosso ver é este o caminho que deve percorrer o filósofo e a filosofia e é por isso mesmo que escolhemos começar este 1º Ciclo de Leituras Filosóficas com esta obra inspiradora. 

Estes Ciclos de Leituras Filosóficas não são aulas ou conferências sobre autores e obras onde se oferecem interpretações mais ou menos aceites das suas ideias e teses. O desafio que lançamos àqueles que queiram mergulhar connosco nesta aventura pela história das ideias é o de se esforçarem por compreender por si mesmos algumas das ideias presentes na obra estudada e que, em diálogo com os outros participantes, contribuam com as suas próprias vivências, interpretações e ideias para novas e refrescantes leituras dos Grandes Filósofos mortos. Só assim a filosofia, ao contrário daqueles, não morre.

 

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